Mercado financeiro é, por definição, um ambiente de compra e venda de valores mobiliários (ações, opções, títulos), câmbio (moedas estrangeiras) e mercadorias (ouro e produtos agrícolas). Nestas negociações, estão envolvidas diversas instituições, que facilitam o encontro entre agentes e regulam e fiscalizam as transações.  

No mercado financeiro, o investidor é o agente que dispõe de capital sobrando e que deseja multiplicá-lo. 

Os caminhos para isso são diversos, mas partem da mesma premissa: a verba é destinada a uma aplicação que oferece valorização de acordo com diretrizes acordadas entre as partes. 

Na renda fixa, por exemplo, o investidor pode projetar o rendimento na hora do investimento: ele saberá se o dinheiro vai se valorizar de forma prefixada, com um juro anual definido, pós-fixada, atrelada a um indicador, ou híbrida, pagando juros fixo mais a variação de um índice de preços. 

Já na renda variável, por outro lado, não há uma garantia de retorno. Um investimento em ações de uma empresa na bolsa de valores pode se valorizar ou desvalorizar, dependendo do interesse do mercado.  

Em uma ponta são os Investidores, na outra ponta estão os tomadores de recursos. Eles são as empresas, instituições ou pessoas que querem captar dinheiro para diversos fins, como pagamento de dívidas, financiamento de maquinário, entre outros.  

Quer um exemplo prático? 

Digamos que você invista R$ 10.000,00 em um CDB (Certificado de Depósito Bancário) em um banco. Como contrapartida, você receberá, ao vencimento do título, juros prefixados ao ano. 

Então outra pessoa procura a mesma instituição financeira para solicitar um financiamento de R$ 10.000,00 para cobrir parte do valor de um automóvel que ela está comprando. 

O que acontece?  

Para isso, claro, o intermediário cobra uma taxa sobre as operações. 

Como funciona o mercado financeiro? 

O mercado funciona na aproximação entre os investidores e os tomadores que, via de regra, é feita por uma instituição financeira. 

Dessa forma, o investidor pode aplicar seu capital em um CDB e acabar fornecendo o capital necessário para que a instituição financeira ofereça um empréstimo a um empresário que precisa de capital de giro para o seu negócio. 

O resumo é que quem possui recursos em excesso empresta para quem sofre com sua falta (e demonstra capacidade de pagar). 

Para normatizar o mercado, existem diversos órgãos importantes, entre eles: Conselho Monetário Nacional (CMN), o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). Eles dão as diretrizes operacionais a partir das quais as instituições financeiras se baseiam. 

E quando falamos em “mercado” ou “mercado financeiro”, não se trata apenas de títulos de renda fixa ou de ações na bolsa. 

Veja como o mercado financeiro é dividido: 

Mercado de crédito: trata dos empréstimos bancários. É o mercado que você acessa ao solicitar um financiamento ou usar o cheque especial. 

Mercado aberto: cuida das empresas com capital aberto, ou seja, que negocia suas ações através da bolsa de valores, que regula a oferta e a demanda pelos papéis das companhias. 

Mercado de câmbio: é a plataforma de negociação de moedas estrangeiras da relação justa entre as moedas dos países. 

As principais instituições do mercado financeiro.  

Banco Central do Brasil 

Criado no fim de 1964, o Banco Central do Brasil, também chamado de Bacen, BC ou BCB, é uma autarquia do Sistema Financeiro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda. 

É a principal instituição financeira do país. Cumpre a função de depositário do Tesouro Nacional e muitas outras: 

  • Reservas cambiais do país (em ouro e em dólar) 
  • Monitoramento e supervisão do sistema financeiro nacional 
  • Emissão de papel-moeda e moeda metálica 
  • Definição do controle de moeda nacional e estrangeira no país e regulação das taxas de juros 
  • Provisionamento de liquidez e assistência para membros do sistema financeiro para garantir o equilíbrio do mercado. 
  • Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Busca fiscalizar o mercado de valores mobiliários, restringindo e punindo instituições que descumprem as diretrizes estabelecidas.  

Instituições financeiras 

Instituições financeiras são os bancos comerciais, corretoras, bancos de desenvolvimento, cooperativas de crédito, sociedades de financiamento, sociedades corretoras, bancos de investimento, entre outras.


Subdivisões do mercado financeiro 

Mercado de Capitais 

O Mercado de capitais trata de títulos, ações e derivativos em bolsas de valores, sociedades corretoras e outras instituições financeiras. Quando você investe em uma LCI ou LCA de um banco de investimentos, está aplicando no mercado de capitais. Quando compra um lote de ações na bolsa de valores, também. 

Mercado de Crédito 

O mercado de crédito é onde são negociados os recursos de curto, médio e longo prazo para pessoas e empresas que buscam capital para capital de giro ou consumo. O Banco Central é o responsável por controlar e normatizar esse mercado e, através do Conselho de Política Monetária, dita os juros básicos da economia, que se refletem nos empréstimos. 

Mercado de Câmbio 

O mercado de câmbio é onde ocorre a troca de moeda de uma nação pela moeda de um outro país. Quando você vai viajar para os Estados Unidos e quer comprar dólar para garantir suas compras ou um passeio na Disney, está atuando no mercado de câmbio. 

Mercado Monetário 

O mercado monetário é onde são realizados os empréstimos de curto prazo, com vencimentos inferiores a um ano. A negociação se dá principalmente através de títulos do Tesouro. O Banco Central e as instituições financeiras são os agentes desse mercado. 

Tipos de investimentos 

O mercado financeiro oferece basicamente dois tipos de investimento, a renda fixa e a renda variável. Ambas são bastante interessantes e não devem ser descartadas pelo investidor. 

No Brasil, a renda fixa tem muito maior adesão do que a variável. E a campeã de aplicações ainda é a poupança. 

Renda Fixa 

Renda fixa é o tipo de investimento que oferece uma base de projeção ou o cálculo do retorno exato antes da aplicação. 

Títulos assim podem ter rendimento prefixado, com um juro anual definido, pós-fixado, atrelado a um indicador como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, referência de rentabilidade), ou híbrido, com um juro fixo mais a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do país). 

São exemplos de renda fixa boa parte das aplicações que você conhece, como a poupança, o CDB (Certificado de Depósito Bancário), a LCI/LCA (Letra de Crédito Imobiliário e Letra de Crédito do Agronegócio), Tesouro Direto, debêntures, LC (Letra de câmbio), entre outros. 

Renda Variável 

A renda variável ainda é pouco explorada pelo investidor pessoa física no Brasil. Em mercados mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, a ela representa fatia bem mais ampla dos investimentos. 

Exemplos de renda variável são ações, opções e derivativos na bolsa de valores, fundos de investimento de ações e multimercados, entre outros. 

Na comparação com a renda fixa, a variável acarreta maior volatilidade e maior risco de prejuízo, embora ofereça potencial de retornos mais elevados. 

Para quem está começando, é importante não alocar todas as suas reservas em renda variável. Procure saber o seu perfil de investidor, saber se esse tipo de investimento faz sentido para você e busque se informar primeiro e, se for o caso, destine, inicialmente, uma parcela pequena, como 5% ou 10%, para ações ou fundos. 

Agentes do mercado financeiro

Emissores de títulos 

Na renda fixa, os emissores dos títulos podem ser o Tesouro (para os títulos públicos) ou instituições financeiras (para títulos privados). 

Analisando o risco, nesse caso, é fácil entender por que o Tesouro Direto é considerado o investimento mais seguro: você está colocando seu dinheiro em dívida do Governo Federal, que se compromete a pagar seu dinheiro de volta acrescido de juros. 

No caso dos títulos privados, o risco é maior, já que se trata de instituições privadas (bancos ou corretoras). 

Para aumentar a segurança dessas aplicações, há um mecanismo de proteção ao investidor chamado de Fundo Garantidor de Crédito, que garante o saldo de algumas aplicações (como CDB, LCI/LCA, poupança) em caso de quebra do emissor, para um limite de até R$ 250 mil. Para ter essa garantia, certifique-se se o produto que você tem interesse conta com essa proteção antes de investir. 

Bolsa de valores 

A bolsa de valores é uma plataforma de negociação de ações de empresas de capital aberto. 

No Brasil, a bolsa oficial se chama B3 (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo), desde 2008, quando ocorreu a fusão da Bolsa de Valores de São Paulo com a Bolsa de Mercadorias e Futuros. 

O investidor pode atuar no mercado à vista, comprando diretamente ações de empresas que considerar promissoras, ou optar por aplicar em fundos de investimento, nos quais o papel de alocação recai sobre o gestor, um profissional com larga experiência na área. 

Tomadores 

Tomadores de recursos são empresas ou indivíduos que precisam de capital (para fluxo de caixa, capital de giro, financiamento, etc) e estão dispostos a pagar juros pelo dinheiro. 

Investidores 

Investidores são pessoas físicas ou jurídicas que desejam multiplicar seu capital que está sobrando. Eles abrem mão da disponibilidade do recurso em um momento para colherem a valorização em um prazo previamente acertado na aplicação. 

Fundos de investimentos 

Fundos de investimentos são uma excelente maneira de ingressar no mercado financeiro, já que oferecem a chance de você diversificar aplicações sem ter grande conhecimento sobre o assunto. 

Em um fundo, você faz um aporte inicial, que é convertido em cotas, e depois espera esse dinheiro se valorizar. 

Existem quatro tipos de fundos considerando as classes de ativos, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais: renda fixa, ações, multimercados e cambiais. 

– Fundo de renda fixa 

Tem foco em retornos por meio de investimentos em ativos de renda fixa (também são aceitos títulos sintetizados via derivativos), com estratégias que envolvam risco de juros e de índice de preços. São indicados para quem quer menor volatilidade e riscos bastante controlados, com alta liquidez. 

– Fundo de ações 

Possui principalmente ativos de renda variável, como ações à vista, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações. No mínimo, 67% da carteira é alocada nessas aplicações. 

– Fundo multimercado 

É o mais versátil dos fundos e oferece estratégias complexas, sem muitas restrições sobre as alocações em determinados ativos ou derivativos. 

Fundos cambiais 

Pelo menos 80% da carteira é destinada a ativos relacionados diretamente ou sintetizados, via derivativos, a moedas estrangeiras. É uma opção bastante atraente para quem possui contratos em moeda estrangeira e busca se proteger de oscilações do dólar ou do euro, por exemplo. 

Agora que conhece mais sobre o mercado financeiro, vamos investir? 

A chave é entender que o poder do mercado está com quem detém o dinheiro: o investidor pode se valor das necessidades de recursos de terceiros para fazer o seu capital aumentar. 

Então, se você valoriza o seu trabalho e não quer perder todo o esforço em uma aplicação que mal consegue superar a inflação (como a poupança), é bom ir atrás de mais conhecimento sobre o mercado financeiro e suas principais aplicações. 

Comece a planejar as suas finanças pessoais para dar os primeiros passos de investimentos de verdade. 

Nesse diagnóstico financeiro, é hora de se perguntar o seguinte: 

Quanto você tem de rendimentos mensais? 

Qual é a estabilidade desses ganhos? 

Quais são seus custos por mês? 

Quais são as despesas em 12 meses, incluindo um percentual (como 15%) para imprevistos? 

De posse desses números, você deve estabelecer a sua estratégia de investimentos. Ela começa, com essa definição, em uma alocação de recursos em um colchão financeiro que sirva de reserva de emergência.